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Portugal e o Atlântico, uma oportunidade estratégica para a energia europeia

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16.04.2026

Num momento em que a Europa procura reduzir dependências energéticas externas, o espaço atlântico português pode transformar-se num ativo estratégico para a segurança energética do continente. Com a eletrificação da economia, o crescimento da procura energética e o potencial da eólica offshore, Portugal pode desempenhar um papel cada vez mais relevante no novo mapa energético europeu.

Durante décadas, o sistema energético europeu foi construído sobre uma forte dependência de importações. Petróleo do Médio Oriente, gás da Rússia, carvão de vários continentes. Ainda hoje, cerca de 58% da energia consumida na União Europeia é importada, segundo dados do Eurostat. Antes da invasão da Ucrânia, cerca de 45% do gás importado pela União Europeia vinha da Rússia. Apesar dos esforços de diversificação, a Europa continua a gastar mais de 370 mil milhões de euros por ano em importações energéticas, sobretudo em petróleo bruto e gás natural provenientes de países como Noruega, Estados Unidos, Cazaquistão, Argélia e vários produtores do Médio Oriente.

A guerra na Ucrânia mostrou os riscos dessa dependência. Mais recentemente, as tensões militares envolvendo o Irão voltaram a expor a vulnerabilidade do sistema energético global a choques geopolíticos. A política energética europeia deixou, assim, de ser apenas uma questão económica ou ambiental. Passou a ser também uma questão de segurança, autonomia estratégica e resiliência económica.

Vários líderes europeus, entre eles o primeiro-ministro português, apelaram recentemente à Comissão Europeia para que não enfraqueça o mercado europeu de carbono. Manter a ambição climática não é apenas uma questão ambiental: é também uma forma de reduzir dependências energéticas externas.

A eletrificação da economia

Grande parte da energia consumida na Europa continua associada à combustão, nomeadamente nos transportes, aquecimento de edifícios e muitos processos industriais. A eletrificação progressiva destes........

© Jornal Económico