A (nova) geopolítica da energia: a relação Europa-África
A atual crise de segurança energética é a maior de sempre?
É-o certamente no que à Europa concerne. A recente sucessão de eventos geopolíticos expôs dramaticamente as fragilidades energéticas da Europa, não só no acesso a recursos, mas também no palco diplomático. Incapaz de gizar uma estratégia efetiva de alianças políticas de longo prazo, inábil a configurar preemptivamente riscos globais e regionais, entorpecida por teias de interesses climáticos desconetados do pulsar social, a Europa tornou-se presa fácil dum destino geopolítico traçado por outrem. A (in)segurança energética já não é uma mera questão técnica ou ambiental, devendo assumir-se como eixo central da sua geopolítica.
De facto, a convicção de que a geopolítica se traduz na atualidade por ‘geopolítica da energia’ está escorada em factos concretos. O investimento global em energia atingiu em 2025 um recorde de 3,3 biliões de dólares, dos quais dois terços em energias limpas. A energia solar é a maior fonte individual de crescimento da procura energética mundial. O nexo causal entre acesso a consumo de energia e os índices de desenvolvimento humano está comprovado. A pobreza energética (não circunscrita a países em desenvolvimento), está ancorada na consciência social. O controlo das cadeias de valor relativas a energias renováveis (e.g. painéis solares,........
