Cérebro em outsourcing: a fatura cognitiva da IA generativa
A inteligência artificial, quando bem priorizada, está efetivamente a cumprir a sua promessa inicial: mais produtividade, menos esforço, mais velocidade. Os utilizadores de ferramentas de IA, particularmente IA Generativa, são, em média, 60% mais produtivos, já que beneficiam de respostas imediatas, estruturadas e contextuais. Trabalha-se mais rápido e, paradoxalmente, durante mais tempo. Para qualquer executivo, parece inequívoco o benefício e o valor da IA na organização.
No entanto, não basta olhar para o que ganhamos. Importa perceber também o que perdemos.
Uma experiência recente conduzida pelo MIT (Your Brain on ChatGPT, MIT Media Lab, 2025), onde se comparou a performance de três grupos de participantes na redação de um trabalho escrito respetivamente com recurso a LLM, usando um motor de busca e sem ferramentas, revela um padrão inquietante. À medida que o esforço cognitivo diminui, também diminui a profundidade da aprendizagem. Quando a resposta já vem organizada, o cérebro deixa de fazer o trabalho essencial: integrar, questionar, reconstruir. Passa-se de um modo de pensamento ativo para uma lógica de supervisão........
