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O escudo não se decreta

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21.08.2026

“Nas duas crónicas anteriores tratei de a quem os dados obedecem e de como fazê-los chegar. Ambas supõem uma base de pé: as máquinas que os guardam e as mentes que os lêem. É essa base que hoje está debaixo de ataque, e em duas frentes.”

Há um pressuposto calado nas duas crónicas anteriores desta série. Para saber a quem os dados obedecem, e para os fazer chegar debaixo de fogo, é preciso primeiro que a base se aguente. E essa base tem duas faces: as máquinas que guardam e movem os dados, e a confiança que os torna úteis a quem os lê. As duas estão sob ataque, todos os dias, e contra nenhuma um regulamento é escudo. Um escudo não se decreta. Constrói-se.

A primeira frente é a das máquinas, e já não é hipótese. Em Julho de 2026, as organizações portuguesas enfrentaram em média 2.390 ciberataques por semana, acima da média europeia e da mundial. Um hospital parado por resgate, como aconteceu ao Garcia de Orta em 2022, são cirurgias adiadas e doentes em risco, não um incómodo informático. A inteligência artificial pode baixar o preço do ataque, escrever o engodo, gerar código malicioso, automatizar a campanha, e, ao mesmo tempo, servir a defesa. Está dos dois lados da barricada.

E há dias deu-se o salto que muda a natureza da ameaça. Em Julho, durante quatro dias, uma campanha conduzida por agentes de IA quase autónomos penetrou o governo de Taiwan, chegou à sua agência de segurança nuclear e a empresas de energia, e levou milhares de registos. Não foi obra de uma superpotência no sentido........

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