Geopolítica da dissimulação: Davos e o triunfo do desplante
A passagem de Donald Trump por Davos confirmou os receios de quem ainda acredita na previsibilidade das relações internacionais. Entre o brilho e o caos, Trump encenou um novo capítulo da geopolítica da dissimulação através de uma diplomacia transacional e performativa, em que o desplante substitui a norma e o espetáculo se impõe à substância. Entre discursos marcados por imprecisões, para não dizer mentiras, e uma retórica que roça frequentemente o absurdo, o que se testemunhou não foi apenas um exercício de excentricidade, mas a execução deliberada de uma estratégia que subverte o multilateralismo e reconfigura o poder pelo ruído.
O episódio da Gronelândia serviu como o grande teste de stress desta nova era. Para alguns, a postura de Trump rotula-o como o TACO (Trump Always Chickens Out), o líder que recua perante a firmeza........
