Inflação 2026, entre a convergência global e os desafios locais
O ano de 2026 apresenta-se como um momento de aparente estabilização no panorama inflacionista global, mas esta leitura superficial esconde tensões que merecem uma análise mais cuidada, particularmente quando olhamos para o impacto na economia portuguesa.
As projeções do Fundo Monetário Internacional apontam para uma inflação global de 3,7% em 2026, uma descida face aos 4,2% previstos para 2025. Este arrefecimento generalizado dos preços parece confirmar a tese de que o choque inflacionista pós-pandemia foi, afinal, transitório. Contudo, esta aparente bonança esconde realidades divergentes que podem ter consequências profundas para economias pequenas e abertas como a portuguesa.
Nos Estados Unidos, a inflação deverá situar-se em 2,4%, persistentemente acima da meta de 2% da Reserva Federal. Esta teimosa resistência da inflação americana não é um mero detalhe estatístico. Reflete pressões estruturais que vão desde os efeitos retardados das tarifas comerciais implementadas em 2025 até aos investimentos massivos em inteligência artificial, que o FMI estima contribuírem com 0,8 pontos percentuais para o crescimento do PIB americano. A permanência de uma política........
