O caminho para a favelização
Construir uma civilização exige décadas, ou até séculos, mas bastam alguns anos de negligência para a sua obra começar a ruir.
Esta é uma máxima válida tanto no plano civilizacional como na esfera das comunidades locais. Por isso, é essencial ter consciência de que a ordem social e o ordenamento urbano são conquistas preciosas e delicadas que exigem prudência na governação. Quem não sente responsabilidade pelo legado recebido dificilmente se empenhará em preservá-lo para as gerações futuras.
Estamos em época de férias e muitos escolhem usufruir os seus dias de descanso em locais que transmitam tranquilidade e harmonia, que garantam segurança, que ofereçam experiências culturais e emocionais agradáveis. Poucos escolhem, deliberadamente, passar férias num lugar marcado por acumulação de lixo, caos urbano, insegurança, infraestruturas degradadas ou problemas de saneamento. As pessoas pagam precisamente para usufruir de ordem, limpeza, segurança, beleza e momentos de contemplação que edifiquem o espírito. Mas se essa vida ordenada é valorizada durante as férias, como é possível que a sociedade fique tão indiferente perante uma paulatina erosão dessa mesma harmonia nas nossas ruas, jardins, nas fachadas dos nossos prédios e nos nossos hábitos colectivos?
Percebemos facilmente a falta de apego ao legado patrimonial quando sentimos um gradual processo de favelização, sobretudo........
