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Má coisa é a ordem

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07.01.2026

Pensei escrever sobre a “política-espectáculo”, mas a leitura de Los Ingratos (2021), de Pedro Simón, desviou-me para outro caminho. Um capítulo bastou para me fazer pensar na voracidade silenciosa do tempo e na forma como tudo arrasta consigo. Talvez por isso este texto faça sentido nesta altura do ano, quando Natais e fins-de-ano parecem suceder-se cada vez mais depressa.

Los Ingratos (por favor, traduzam-no) é um romance comovente sobre a infância, a memória e a gratidão. Ambientado na Espanha rural de 1975, numa aldeia que começa a esvaziar-se, acompanha a chegada de uma nova professora e dos seus filhos. O mais novo é David. A sua vida passa por ir à escola e à eira, esfolar os joelhos, aventurar-se com os amigos em sítios proibidos e viajar de olhos fechados na mercearia. Até que uma cuidadora — Emérita — entra em casa e lhes muda a vida para sempre. Com ela, David aprende tudo o que é preciso saber sobre as cicatrizes do corpo e as feridas da alma; e, graças ao rapaz, Emérita recupera algo que julgava perdido há muito tempo. 

Los Ingratos é também o retrato de uma geração........

© Jornal do Fundão