A transubstanciação do Fundo Soberano do Interior
As últimas semanas têm sido propícias a discussões esotéricas sobre um pretenso fundo soberano. Ora, se a Noruega o tem, se a Arábia Saudita também, se os Emirados Árabes o possuem e até o Alasca o exibe, então, como parece evidente a muitos, Portugal também tem de ter. Ponto final.
Há, porém, um detalhe crucial a considerar. O fundo soberano daqueles territórios tem origem nos excedentes das exportações de petróleo, seja do Mar do Norte, da Península Arábica ou das reservas do Alasca.
Já a génese do fundo soberano português assenta numa transubstanciação cínica. O Estado opera aqui uma alquimia químico-financeira, onde os impostos pagos em excesso pelos contribuintes são rebatizados como capital soberano de investimento. Eis a verdadeira origem do nosso fundo. Em bom rigor, este modelo não passa de um imposto que se esqueceu da sua própria matriz,........
