No país dos incêndios
Quarta-feira de Cinzas e, quarenta dias depois, a Sexta-Feira da Paixão e, três dias depois, o Domingo da Ressurreição de Cristo, e lembro as exaltações cristãs em curso para pensar no desgraçado David, que começa a sua travessia de anos no deserto. As irmãs de David suspiraram e protestaram no tribunal, nas minhas costas lamentando o que parecia o martírio de um inocente. Mas David é agora um incendiário, um criminoso condenado. Só que as duas mulheres chorosas viam nele a criança num corpo de homem, o irmãozinho de 53 anos possuído por uma legião de demónios de álcool e fogo. David estava no tribunal de São João Novo, no Porto, vestido num colete de caça acolchoado, a cara redonda e branca, atrás dele os guardas prisionais que o trouxeram algemado da penitenciária, e as suas respostas mostraram depressa que a sua cabeça não era deste mundo.
- Qual a sua profissão?
e informou que a mãe já faleceu mas nem sabia o nome dela.
- E sabe........
