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A deslocalização que ninguém vê

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16.06.2026

Durante trinta anos, o Norte aprendeu a temer uma palavra: deslocalização. Sabia o que ela significava. Camiões a carregar máquinas, pavilhões vazios, uma vila inteira a perguntar o que vinha a seguir. A ameaça tinha morada: China, Marrocos, Leste europeu. Era visível. Podia combater-se.

A deslocalização deste século é diferente. Não atravessa fronteiras. Atravessa funções.

A inteligência artificial não vai fechar a fábrica de Famalicão nem o pavilhão de Felgueiras. Vai esvaziar os escritórios ao lado. Em março, a AICEP escrevia que a IA já transforma o calçado, do planeamento à relação com o cliente. Em Famalicão, a Riopele já usa IA para apoiar a inspeção do tecido, centímetro a........

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