O problema nunca esteve nela
Há notícias que nos chocam. Outras deveriam envergonhar-nos coletivamente.
A morte de uma jovem de 16 anos, alegadamente assassinada pelo namorado em Odivelas, não é apenas mais um crime. É também o retrato de um fracasso coletivo na prevenção da violência nas relações afetivas, particularmente entre os mais jovens.
Continuamos a associar a violência doméstica a relações longas, casamentos ou uniões de facto. No entanto, a realidade mostra-nos algo diferente. Os comportamentos de controlo, os ciúmes obsessivos, o isolamento social e as diversas formas de agressão surgem cada vez mais cedo, muitas vezes durante a adolescência.
Muitos jovens crescem rodeados de mensagens que confundem amor com posse e afeto com controlo. A vigilância constante, a exigência de acesso ao telemóvel, o controlo das redes sociais, a limitação das amizades ou a necessidade de saber permanentemente onde o outro está são frequentemente apresentados como sinais de amor. Não são.
A violência raramente surge de forma repentina. Instala-se gradualmente. Começa com o controlo, evolui para as humilhações, para as ameaças e para a agressão psicológica e, em alguns casos, culmina na violência física.
O mais inquietante é que estes sinais são, muitas vezes, visíveis. São observados por amigos, familiares, colegas de escola e até por adultos........
