"Provas-Moda": uma moda inusitada
Há uma nova moda a instalar-se na escola: a dos exames em plataformas digitais, apresentados como sinal de modernidade e eficiência. Mas será mesmo progresso substituir o papel por ecrãs no momento mais exigente da avaliação? Na verdade, um exame não deveria ser apenas um conjunto de respostas. Trata-se de um exercício de pensamento, de organização, de escrita refletida e esse processo não se compadece com a lógica apressada e técnica dos dispositivos digitais.
As designadas "provas-moda" parecem seguir modas, valorizando mais o formato do que o conteúdo, numa era de desumanização. O aluno passa a preocupar-se com cliques, barras de progresso, campos a preencher, do que com a clareza das ideias e a construção do raciocínio. A leitura em ecrã fragmenta a atenção, a escrita em teclado distancia o pensamento da palavra. Num exame, onde cada detalhe conta, esta mediação tecnológica pode comprometer a profundidade e a autenticidade das respostas.
Além disso, há uma dimensão de equidade que não pode ser ignorada. Nem todos os alunos têm o mesmo à-vontade com plataformas digitais, nem todos reagem da mesma forma à leitura prolongada em ecrã. Avaliar em digital é, muitas vezes, avaliar também competências técnicas que não deveriam interferir com o verdadeiro objetivo: medir o conhecimento e a capacidade de pensar.
Num tempo em que tudo parece ter de ser rápido, interativo e tecnológico, talvez seja urgente travar esta tendência e questionar o rumo. A escola não deve seguir modas, deve formar. E formar exige tempo, silêncio, concentração, tudo aquilo que o papel, com a sua simplicidade, ainda garante melhor do que qualquer ecrã.
