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Influencers para totós

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20.04.2026

"Estuda, para seres alguém na vida." Este foi o conselho que os nossos pais repetiram durante décadas. Uma visão antiquada, própria de um país ainda pouco familiarizado com as novas profissões do século XXI. Hoje, felizmente, existe uma alternativa com muita saída. Estudar? Para quê? O que está a dar é ser influencer.

A lógica é simples e genial. Em vez de perder anos a aprender coisas complicadas como a engenharia, a medicina ou o direito, o influencer nasce praticamente ensinado. Aos 23 anos, está encartado para dar opiniões profundas sobre finanças, alimentação, produtividade, relações, espiritualidade, o que for preciso. Um manual de vida, partilhado entre duas fotografias do brunch.

Os conteúdos são, porém, cientificamente testados: "Bom dia, família", "Gratidão", "Cinco hábitos que mudaram a minha vida". Gosto particularmente da "Rotina matinal de sucesso", normalmente gravada perto do meio-dia.

O segredo do modelo económico é igualmente brilhante. Nada se vende, tudo se "partilha convosco". Um creme, um chá milagroso, um curso de produtividade ou uma viagem a um hotel que, por pura coincidência, decidiu pagar a estadia do influencer. Não é publicidade. É autenticidade patrocinada.

O resultado é um enorme avanço civilizacional. Estudar anos e trabalhar oito horas por dia é antiquado. O moderno é trabalhar oito minutos e passar o resto do dia a explicar aos outros como "viver o sonho".

A métrica deste sucesso são os likes. Aparecem depressa aos milhões. Mas se e quando o algoritmo assim o decidir, desaparecem ainda mais depressa. Ao invés da conta da eletricidade, que continuará a chegar.


© Jornal de Notícias