O património não é um cenário
Há um equívoco persistente nas políticas de património: pensar que conservar um lugar significa impedir que ele mude. A experiência demonstra precisamente o contrário. Quando uma cidade histórica deixa de acolher vida quotidiana, diversidade social, novas linguagens e capacidade de participação, pode manter intactos os seus edifícios e, ainda assim, perder progressivamente o seu significado.
Ao longo do meu trabalho como arquiteto, consultor municipal e colaborador em redes europeias de cidades, tenho constatado que o problema raramente está na ausência de património, de projetos ou de investimento. Está, muitas vezes, na dificuldade de estabelecer uma relação efetiva entre esses recursos e as comunidades que deveriam beneficiar deles.
É neste quadro que deve ser entendido o trabalho desenvolvido pelo NEBVOICES. O próximo encontro transnacional em Gradara, que reunirá os parceiros europeus do projeto e incluirá uma aproximação à realidade patrimonial de Urbino, constitui uma oportunidade para discutir uma questão que ultrapassa largamente estes dois territórios: como transformar o património num recurso ativo de participação, aprendizagem, inclusão e desenvolvimento local?
O New European Bauhaus não é um estilo arquitetónico nem uma nova linguagem destinada a valorizar visualmente os espaços urbanos. No plano municipal, deve ser entendido como um método de transformação territorial que articula sustentabilidade, inclusão e qualidade da experiência. A estética importa, mas não pode ser separada das condições sociais, ambientais e democráticas em que os lugares são produzidos e utilizados.
Uma praça requalificada pode ser formalmente bem desenhada e continuar vazia. Uma intervenção artística pode gerar imagens apelativas sem criar qualquer vínculo com a comunidade. Um edifício........
