O edifício translúcido
Qualquer pessoa bem informada sabia que a sua proximidade ao mar desaconselhava a sua construção ali, mais ainda porque, à data da inauguração (2007), como hoje, não se sabia para que servia.
Em vez de se demolir ou estudar a recuperação e adaptação às condições de contexto, discute-se a sua diminuição para metade da altura, porque alguém na Agência Portuguesa do Ambiente (APA) - quem? - o entende, a ministra do Ambiente o acha feio - o que interessa a sua opinião sobre arquitetura? - e a Câmara do Porto parece que se submete à APA.
Mas, se o mar atinge os alicerces do imóvel, o que põe em causa a sua existência, o que resolve o prédio passar de quatro andares para dois? Não continua a sua base exposta? Se há ferrugem em abundância e os vidros estão permanentemente translúcidos, isso deixará de acontecer se a altura diminuir? Ou, se há forma de poder manter-se dois pisos, porque não quatro? Por fim, como pode a APA decidir sobre o que é competência da CMP? Que legitimidade democrática tem para decidir o futuro de um prédio no Porto, ou não dar explicações sobre o facto de considerar todas as praias de Gaia urbanas e as de Matosinhos não?
O centralismo é opaco e o edifício é translúcido. Nós merecemos transparência e racionalidade.
