menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Quilómetros entre o PIB e o bolso

14 0
26.02.2026

No final do ano passado, a economia portuguesa tinha registado um crescimento económico de 1,9%, valor acima do da União Europeia (1,6%) e da Zona Euro (1,5%). Mas há uma distância significativa entre o desempenho favorável do PIB e a carteira dos portugueses.

O fosso é grande quando se comparam poderes de compra a 27. Portugal apresenta o sexto pior desempenho, mesmo quando o custo de vida está abaixo da média comunitária. O poder aquisitivo em Portugal é menos de metade de um luxemburguês. Para tal contribuem, à cabeça, os preços das habitações, que levam grande parte do orçamento das famílias. Em algumas cidades, o empréstimo bancário ou a renda consome metade do rendimento disponível no fim do mês. Portugal foi o segundo país onde o preço das casas mais subiu, 24% desde 2020. Pior, só a Grécia.

A distância entre o crescimento da economia portuguesa e o bolso mostra-se também nos salários, que por aqui são dos mais baixos da União. Em Portugal, o rendimento médio, de acordo com os dados da Pordata divulgados há dias, fica-se pelos 1054 euros mensais, bem longe dos 2157 euros da Alemanha ou dos 2035 do Luxemburgo.

Os indicadores macroeconómicos revelam também que Portugal tem das produtividades mais baixas (19.° lugar).

O PIB até pode ter tido uma boa performance aos olhos de Bruxelas, mas o tornado que inflacionou os preços nos últimos anos tem varrido o que sobra depois das contas do mês. A inflação até pode deixar de aumentar, mas os preços não voltam a descer. O país cresce, mas os pobres estão mais pobres, o PIB sobe, mas ainda há dois milhões de portugueses a viver com menos de 630 euros por mês.


© Jornal de Notícias