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É tempo de agir

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08.03.2026

Tenho um sonho. Não o de Martin Luther King Jr., mas o meu próprio sonho. Um sonho em que a minha filha não fica do lado de fora da liberdade. Um sonho em que essa mesma liberdade chega à minha neta sem saltar uma geração. Em que o género descreve uma pessoa, mas não a limita. Em que nascer menina não é um fator de risco. Este é o meu sonho e quero afirmá-lo bem alto. E estou decidida a torná-lo realidade.

Este é o momento certo para o fazer porque estamos a viver um período de reação contra os direitos das mulheres. Dizem-nos que estamos a progredir, mas é frequente vermos este progresso instrumentalizado contra as mulheres e as raparigas. A tecnologia, que nos deveria ligar, divide-nos. Os robôs digitais ("bots") intensificam o ódio. As falsificações profundas usurpam os rostos e as vozes das mulheres despojando-as de dignidade e transformando a inovação em intimidação.

Na política e nos negócios, os velhos estereótipos vestem peles de cordeiro. O preconceito já não se afirma de forma estridente, optando antes pelo eufemismo, o calculismo e a exclusão discreta. Entretanto, com a discórdia a reverberar no espaço digital, cresce o abismo que nos separa. As raparigas e os rapazes afastam-se, a desconfiança toma........

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