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Um País que não é para pais

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07.06.2026

Há uma pergunta simples que raramente fazemos quando discutimos natalidade, produtividade ou demografia: será que Portugal é, verdadeiramente, um país pensado para quem decide ter filhos?

A resposta não cabe em estatísticas nem em discursos de circunstância. Encontra-se nas madrugadas interrompidas, nas creches que, em muitas partes do país, não chegam para todos, nos horários incompatíveis com a vida familiar e, sobretudo, no momento em que milhares de pais percebem que a licença de parentalidade termina muito antes de a nova realidade familiar estar minimamente estabilizada.

Celebramos a parentalidade nos discursos. Promovemos campanhas sobre a importância da família. Mas continuamos a organizar o Estado e o mercado de trabalho como se ter filhos fosse uma questão privada, cuja gestão deve ficar exclusivamente a cargo das famílias.

A verdade é que a atual licença de parentalidade continua demasiado rígida e insuficiente para responder à diversidade........

© JM Madeira