Solidão: a outra pandemia
Há silêncios que pesam mais que gritos, e há ausências tão densas que preenchem a casa inteira. A solidão não faz barulho, instala-se devagar, como pó que se acumula nos cantos da vida. Vivemos num tempo paradoxal. Nunca estivemos tão ligados por fios, redes, e nunca tantos se sentiram tão sós. A solidão tornou-se uma presença discreta, mas constante, no quotidiano de milhares de pessoas. Invisível nas estatísticas imediatas, mas fantástico nos seus efeitos prolongados.
Esta solidão não se limita aos mais velhos, embora os atinja com particular severidade. Afeta também doentes crónicos, cuidadores informais e até quem vive rodeado de gente, mas sem laços reais. Há um vazio que não se vê, mas pesa. Vai-se instalando devagar, como quem se senta e já não sai, até que o silêncio se torna hábito e a ausência de afeto, rotina.
Sabemos hoje, com base científica,........
