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Quando a misoginia parece normal

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07.03.2026

O Dia Internacional da Mulher, que se celebra amanhã, não nasceu para flores, jantares “de mulheres, para mulheres” ou de slogans.

Nasceu, no século XX, de lutas pelos nossos direitos – direito ao trabalho, ao voto, à dignidade. A data só é assumida oficialmente pelas Nações Unidas em 1975, no quadro do Ano Internacional da Mulher – um dia dedicado aos direitos das mulheres e à paz.

É inquietante ver que, por vezes, este dia fica reduzido a uma coreografia social que pouco respeita o sentido da verdadeira celebração deste dia. Há gestos que alimentam a sátira – jantares “de mulheres, para mulheres”, onde o homem surge como pretexto para chacota “porque é o dia das mulheres” ou para os expor publicamente, de forma sexualizada. Não é a mesma coisa que o assédio quotidiano (estrutural, repetido, assimétrico) a que as mulheres são sujeitas, mas revela um certo mal-entendido sobre o que se deve celebrar. Confunde-se a emancipação, o empoderamento, com uma perturbadora inversão de papéis.........

© JM Madeira