O carro zero está ficando mais distante
O alerta que apareceu nesta semana no New York Times faz sentido também fora dos Estados Unidos: comprar carro 0 km ficou mais difícil. Não porque o mercado parou. Pelo contrário. O que mudou foi a relação entre renda, preço do veículo e custo do financiamento. Nos EUA, houve leve melhora estatística de acessibilidade em janeiro, mas ainda em um patamar caro: o preço médio do carro novo ficou em US$ 49.191, a parcela típica em US$ 756 e o consumidor ainda precisava de 35,6 semanas de renda mediana para comprar um veículo novo.
O dado mais importante é que o aperto não está só no showroom. Ele está no crédito. No quarto trimestre de 2025, o valor médio financiado de um carro novo nos EUA chegou a US$ 43.582, a parcela média subiu para US$ 767 e quase 30% dos contratos novos já estavam na faixa de 73 a 84 meses. Ou seja, o mercado não resolveu a acessibilidade. Apenas esticou o prazo para fazer a conta caber.
O mecanismo é simples. A indústria global passou a vender um mix mais caro, com mais SUVs, picapes, híbridos e elétricos. Ao mesmo tempo, o custo de capital subiu e as montadoras ficaram menos dispostas a sacrificar margem com descontos amplos. Nos EUA, os incentivos de janeiro ficaram 6,4% abaixo do nível de um ano antes. No mundo, a própria S&P Global Mobility projeta demanda praticamente estável em 2026 e produção ligeiramente menor, em um ambiente de maturidade de mercado e tensões comerciais.
Continua depois da publicidade
Inscreva-se gratuitamente na InfoMoney Premium, a newsletter que cabe no........
