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Marcas brasileiras têm vergonha de ser brasileiras?

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21.05.2026

Existe um sintoma antigo no branding nacional, um desconforto velado em soar brasileiro, uma vontade quase automática de parecer importado, traduzido, neutro. Marcas com nome em inglês para vender no bairro, embalagens que imitam a estética de Estocolmo, manifestos que poderiam ter sido escritos em qualquer lugar do mundo, menos aqui.

Por décadas, isso passou por sofisticação. Era moderno parecer estrangeiro, era profissional perder o sotaque. Quando a marca tenta falar com todo mundo, deixa de pertencer a alguém. E pertencimento, em 2026, virou o ativo mais escasso do mercado.

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O Brasil virou um dos poucos países capazes de exportar cultura. A música, a comida, a estética e o humor viajam. A informalidade vira linguagem, a criatividade popular vira referência, o improviso vira admiração lá fora. E, mesmo assim, uma marca pode nascer no Brasil e fazer de tudo para parecer que nasceu em lugar nenhum.

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A vergonha como estratégia

Por anos, a........

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