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Tagliaferro denuncia “documentos fantasmas” e diz que Moraes “tem medo”

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28.08.2026

Eduardo Tagliaferro, ex-perito do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ex-assessor de Alexandre de Moraes, está no centro de um processo de extradição na Itália após se tornar alvo do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Agora, sua defesa questiona a documentação utilizada para pedir sua prisão e extradição.

Uma reportagem do site A Investigação, do jornalista David Ágape, revelou que o mandado de prisão usado no pedido de extradição de Tagliaferro não aparece no Banco Nacional de Medidas Penais e Prisões (BNMP) nem na cronologia certificada pelo STF. A apuração também apontou que a manifestação da Procuradoria-Geral da República (PGR) que teria fundamentado a prisão não consta na cronologia do processo.

Diante das inconsistências apontadas pela reportagem, os advogados de Tagliaferro levaram o caso ao Ministério da Justiça. A defesa pede a preservação dos arquivos originais e dos registros digitais relacionados à ordem de prisão, além da reconstrução do caminho percorrido pelos documentos até a Corte de Apelação de Catanzaro, na Itália.

A defesa ressalva que a ausência dos documentos na cronologia, isoladamente, não comprova que eles sejam falsos ou inexistentes. Eles poderiam ter sido armazenados sob sigilo, em outro sistema ou por outro canal. O que os advogados questionam é onde, quando e como essas peças foram produzidas, assinadas e registradas — e se os documentos enviados à Itália correspondem aos originais.

Segundo Tagliaferro, porém, as buscas realizadas pela defesa reforçam as dúvidas. Ele afirma que procura o mandado desde que a ordem de prisão teria sido determinada e que o documento nunca apareceu nos sistemas oficiais. Também sustenta que a manifestação da PGR citada por Moraes na decisão não consta nos sistemas consultados.

Em entrevista à Entrelinhas, Tagliaferro fala sobre as inconsistências que, segundo ele, foram encontradas nos documentos, a atuação de sua defesa, o processo de extradição na Itália e sua experiência trabalhando diretamente com Alexandre de Moraes.

Entrelinhas: Como seria possível existir uma ordem de prisão contra o senhor sem que ela apareça nesses sistemas?

Tagliaferro: A gente estava analisando o processo de extradição, bem como o processo todo no Brasil. Em uma consulta que eu fiz, não vou dizer onde, para não prejudicar as pessoas, descobrimos que não existe uma ordem de prisão ativa dentro de sistemas. Isso me chamou muito a atenção. Se existe uma ordem de prisão emitida pelo Supremo Tribunal Federal, óbvio que ela estaria........

© Gazeta do Povo