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O pacacídio

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10.04.2026

Imagine, leitor, a seguinte cena: estamos em 2021, é uma noite de sábado em Brasília. A primeira-dama Michelle Bolsonaro liga a câmera do celular na cozinha do Palácio da Alvorada. Sorridente, ela mostra um pedaço suculento de paca na panela de pressão, com molho de açaí e farofa de mandioca como acompanhamento. “Meu amor, olha o que eu preparei para você!”, diz ela, de forma carinhosa.

O vídeo é postado nas redes sociais com a legenda: “Jantar raiz para o meu presidente!” e a hashtag #CozinhandoComAmor. Em menos de duas horas, a postagem acumula quase 5 milhões de visualizações.

O que começou como conteúdo despretensioso logo ganha contornos explosivos. Como se sabe, a paca (Cuniculus paca) é um animal protegido pela legislação ambiental, que proíbe sua caça, perseguição, captura e comercialização – exceto quando proveniente de criadouros autorizados pelo IBAMA ou órgãos estaduais, com documentação comprobatória.

Quase imediatamente, perfis de ativistas de direito ambiental apontam as restrições legais ao consumo irregular de carne de paca: “Pode configurar crime, com penas de detenção de seis meses a um ano, além de multa!”, afirma um especialista.

No dia seguinte, o episódio se transforma no “Pacacídio”, termo cunhado por um colunista da grande mídia que acumula milhões de menções no X (antigo Twitter).

A paca se transforma no novo........

© Gazeta do Povo