Raízen, “transição energética” e rentismo
O surpreendente pedido de recuperação extrajudicial da Raízen, envolvendo a renegociação de dívidas da ordem de R$ 65 bilhões — a maior operação do ramo no País —, gerou ondas de choque em todo o mundo empresarial brasileiro.
Grande parte da surpresa decorre do fato de a empresa, uma das maiores produtoras de açúcar e etanol do mundo, ser uma joint venture entre duas potências nas respectivas áreas, a centenária Shell e a quase centenária Cosan, empresas das quais se costuma esperar uma visão estratégica capaz de evitar sobressaltos do gênero.
Fundada em 2011, a promissora proposta da Raízen era combinar a experiência da Cosan na produção de açúcar e etanol com a da Shell na distribuição de combustíveis, para formar um grande conglomerado integrado de energia e biocombustíveis. Inicialmente, a parceria funcionou com base nas duas especializações principais das sócias, com bons resultados.
Em 2017, teve início uma expansão agressiva orientada pela badalada agenda ESG (ambiental, social e governança), com pesados investimentos na área das energias “verdes”, em especial o chamado etanol de segunda geração (a partir de bagaço e palha de cana-de-açúcar), biometano (gás natural renovável), biogás, energia solar distribuída e redes de recarga para automóveis elétricos. Em paralelo, a empresa expandiu os negócios........
