menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Diplomacia de várzea

18 0
11.06.2026

A Copa do Mundo começa hoje (11), e o Brasil entra mais uma vez em campo carregando uma memória que já foi pura diplomacia de mais alta qualidade. A camisa amarela ainda é mais do que uniforme e funciona como uma espécie de passaporte simbólico. Abre portas, desperta simpatias, comunica talento, alegria, ambição e uma ideia de país que, mesmo quando não corresponde inteiramente à realidade, projeta grandeza. Só quem já se meteu em apuros em alguma fronteira, ou já passou por pontos bem complicados do mundo sabe quão útil é a nossa camisa, as imagens de Pelé, Ronaldinho e Ronaldo. O Brasil podia ter crises, inflação, instabilidade política e governos ruins. Mas há (ou havia?) uma percepção externa de que o país joga(va) na primeira divisão. No futebol e, por extensão, em parte da diplomacia.

Essa imagem, porém, tem se desgastado. E às vezes a decadência de uma política externa inteira aparece melhor em pequenos episódios do que em longos comunicados oficiais. Há poucos dias, em Washington, os embaixadores do Brasil e do Marrocos dividiram o palco em um evento público. Ao final, trocaram presentes. O representante marroquino entregou à embaixadora brasileira uma camisa oficial da seleção do Marrocos: uma bela camisa da Puma, feita com material de alta qualidade, idêntica à que os jogadores de seu país já usaram em campo. Um objeto simples, mas cuidadosamente escolhido. Era a camisa de uma nação que compreende o valor da representação.

A embaixadora do Brasil, por sua vez, ofereceu uma camisa “alternativa” da seleção brasileira. Não era a peça oficial usada pelos jogadores. Nem tentava imitar como uma falsificação. Era um modelo genérico, chinês, barato, desses que se encontram por cerca........

© Gazeta do Povo