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A América Latina virou à direita ou é exaustão?

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25.06.2026

Nos últimos dias estamos lendo e ouvindo que o atual ciclo político da América Latina se resume a uma guinada à direita. A cada virada de chave nas urnas regionais, os analistas correm para decretar o nascimento de uma nova "onda". Seja ela vermelha, rosa ou, como se aponta agora, azul. Trata-se de explicações construídas a partir de visões de quem enxerga o mundo através de filtros puramente ideológicos.

O que os mapas eleitorais recentes desenham não é uma conversão doutrinária em massa ao conservadorismo ou ao liberalismo econômico. Tenho observado que o verdadeiro motor que tem definido os rumos da região nas últimas duas décadas não é a adesão a uma cartilha partidária, mas o colapso definitivo da paciência do cidadão comum com quem está no poder. Estamos diante de uma dinâmica impiedosa na qual o voto tende mais a ser um instrumento de castigo que de aprovação.

A prova irrefutável de que não há hegemonia ideológica, mas sim uma fratura social profunda, está na crueza dos números. Olhar para a margem de diferença das últimas grandes eleições na região é ver um continente rachado ao meio, onde governantes assumem sem qualquer espécie de cheque em branco. No Peru, em 2021, Pedro Castillo venceu Keiko Fujimori por uma margem microscópica de 0,25% dos votos. Na eleição desse ano, Keiko venceu por pouco. Muito pouco. Na Colômbia, em 2022, Gustavo Petro cruzou a linha de chegada com uma vantagem apertada de apenas três pontos percentuais contra Rodolfo Hernandez Suárez – um candidato folclórico. Neste ano, Abelardo de La Espriella venceu por menos de 1%.

Como falar em guinada ideológica se as eleições foram quase um cara ou coroa?

O caso brasileiro de 2022 segue exatamente a mesma lógica do equilíbrio pelo desespero. Jair Bolsonaro perdeu pela menor margem da história das eleições presidenciais do país desde a redemocratização: escassos 1,8 ponto percentual. Na esteira daquele resultado, partidos e intelectuais de esquerda caíram na tentação da autocomplacência, interpretando o resultado como um renascimento do progressismo e uma validação ideológica de suas........

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