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Brasil não é pau-brasil

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01.04.2026

Em algum momento de 2024, um estúdio da Nike em Portland decidiu que a camisa reserva da seleção brasileira para a Copa de 2026 poderia ser vermelha. Entre esquerdistas, a justificativa circulou logo depois: o pau-brasil, madeira de coloração avermelhada, deu nome ao país. O argumento é etimologicamente correto. É também, do ponto de vista da identidade cultural, inútil. A camisa da seleção brasileira é amarela. Assim como a do Palmeiras é verde a do Corinthians, branca e preta...

Antes de continuar, não duvide: a camisa era bonita. O modelo vazado tinha equilíbrio, as proporções funcionavam, o vermelho com detalhes em preto tinha dignidade gráfica. O problema nunca foi estético. Sejamos honestos, o problema é outro. Ele revela um tantinho de esquecimento e hipocrisia.

O pau-brasil foi o primeiro produto de exportação do território que viria a se chamar Brasil. Os portugueses derrubaram as árvores, os franceses contrabandearam o que puderam, e a madeira foi embarcada para tingir tecidos na Europa. O país nem existia enquanto o recurso que lhe daria o nome desaparecia no Atlântico. Invocar o pau-brasil como fundamento da identidade nacional é invocar o momento em que não havia nação. Havia madeira e havia colonizador. O único período em que o vermelho do pau-brasil teve relevância histórica concreta foi quando o Brasil pertencia a outro. De repente, a esquerda esqueceu o termo: branco colonizador.

O amarelo da camisa da seleção não remete ao ouro; remete a Pelé, a 1970, a gerações de torcedores que aprenderam a reconhecê-lo como “nosso”........

© Gazeta do Povo