O discurso de Trump e o “roasting” dos democratas
No mais recente State of the Union, o presidente Donald Trump fez algo que a retórica protocolar de Washington raramente permite: transformar um rito constitucional num show de achincalhe contra os adversários políticos, naquela modalidade de humor que os americanos chamam de “roasting” (assar), na qual o alvo termina moralmente “assado”. Diante do Congresso dos Estados Unidos, o presidente lançou uma pergunta simples, quase primária: quem, ali, acreditava que o governo americano deve priorizar cidadãos americanos em vez de imigrantes ilegais?
Republicanos se levantaram. Democratas permaneceram sentados.
Brutal! Os democratas foram assados impiedosamente. Ali, na armadilha de Trump, não se tratava mais de tecnicalidade legislativa nem de disputa semântica sobre políticas públicas. Tratava-se da definição elementar de comunidade política. Um Estado existe primordialmente para quem? Para seus cidadãos – aqueles vinculados por laços jurídicos e deveres recíprocos – ou para qualquer indivíduo que consiga atravessar sua fronteira, independentemente da lei?
Trump, com instinto teatral apurado, condensou décadas de conflito ideológico num único gesto corporal. Ao forçar a escolha visível, expôs a fratura que atravessa a política americana contemporânea já há alguns anos: soberania versus abstração globalista; cidadania como categoria jurídica versus cidadania como mera formalidade dispensável.
Trump não tratou a imigração ilegal como simples problema administrativo, mas como vetor de transformação estrutural
Trump não tratou a imigração ilegal como simples problema administrativo, mas como vetor de transformação estrutural
O presidente não tratou a imigração ilegal como simples problema administrativo, mas como vetor de transformação estrutural. Fronteiras porosas pressionam salários da classe trabalhadora, tensionam sistemas de saúde e educação, e alteram rapidamente o perfil........
