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A relevância da língua escrita

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Está estendida a ideia de que a língua escrita imite a variabilidade das línguas faladas, esta proposta implica tirar-lhe o caráter próprio: o de ser um instrumento de progressiva unidade, de comunicaçom mais vasta, pois a língua escrita vem sendo a coluna da cultura de um povo e interessa que permaneça quanto for possível Este axioma é de muita utilidade para todas as línguas históricas, nomeadamente o galego-português, pois é notório que as «Normas ortográficas» impostas por Decreto (1983) convertêrom esta língua milenária num obstáculo muito perigoso para observar o valor identitário que a esta se lhe atribui a respeito de umha Naçom.

Além do mais, a imposiçom das «Normas» (1983) foi um dos mais graves atentados cometidos contra esta língua histórica desde o momento em que começou a constituir-se como língua românica derivada do latim. Para demonstrar esta asseveraçom lembramos apenas alguns princípios que deveriam respeitar-se e cumprir-se há várias décadas e agora:

(a) A normativa ortográfica devia depender do conceito que se tiver sobre o «território» e a sociedade, sobre a «cultura» e a «história» da Galiza como povo no conjunto dos povos, ignorar que o território onde se fala galego ou galego-português além das clássicas quatro províncias galegas (pois devemos admitir que em Portugal, no Brasil, Angola, Moçambique e nos PALOPs se falam variedades do galego) conduziu a elaborar umha língua escrita que nom é válida para comunicar-se com umha comunidade de falantes constituída na atualidade por mais de 270 milhons de pessoas.

(b) Considerar que todos os habitantes da Galiza podem e devem viver nela «em galego ou galego-português» como na Catalunha se vive em catalám, ou em Euskal-Herria em euskera.

(c) Potenciar a cultura galega de maneira autónoma, em comunidade com todas as outras expressons culturais de Ocidente, por este motivo devia ter umhas regras de escrita que nom entrassem em contradiçom (sempre que for possível) com as normativas de outros países da nossa área cultural.

(d) Admitir e promover que a «história da Galiza» se estende mesmo até os tempos da romanizaçom, e inclusive antes, obrigava e obriga a ter em conta as manifestaçons escritas galegas existentes antes da década de 1980 e salientar as formas genuinamente galegas, assi como a grafia que lhes correspondia e corresponde.

Perante esta hecatombe evidente nom vemos vozes nem propostas científicas por parte de entidades culturais como a «Real Academia Galega» nem do partido político presente no Parlamento da Galiza que se proclama nacionalista galego.


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