A língua portuguesa: a quantidade e a qualidade
Sempre defenderemos a leitura e a releitura dos nossos clássicos que fazem parte na atualidade de diversos países,e entre as nossas figuras mais ilustres aparece a do Professor Manuel Rodrigues Lapa, autor do livro «Estudos Galego-Portugueses» (1979), entre outras muitas obras muito salientáveis. Umha das perguntas que formulava naquela altura baseava-se na questom: «quantos eram os falantes do português?».
Salientava que em termos numéricos, a quantidade conta muito, porém o tempero superior era a qualidade, o facto que lhe imprime a verdadeira força. Com a sua lucidez e experiência denunciava que no cômputo dos luso-falantes nom se considerava para o efeito o nome da Galiza. Esta grave carência além de revelar a mais supina ignorância do facto em si, dado que o galego nom é mais do que umha forma arcaizante do português ou do galego-português, fai erradas as contas. Num artigo nosso aparecidoo há poucos dias no FARO asseverávamos que eram por volta de 260 milhons, mas existem dados mais recentes que elevam esta cifra a 270 ou 280 milhons.
Enunciado o tema da quantidade de falantes, devemos enunciar embora seja sinteticamente outro problema fundamental em qualquer língua histórica com vários séculos de existência: a qualidade desse modelo para o nível literário, científico-técnico, meios de comunicaçom, o sistema educativo (nomeadamente o universitário)... para que seja em verdade umha língua extensa e útil.
Entre as medidas mais urgentes está a derrogaçom do Decreto (1983) por denegrir e converter o idioma genuíno e histórico da Galiza numha «variante vulgar», sem utilidade e prestígio. No que diz respeito às normas de escrita correta, há que salientar que umhas «Normas» som basicamente «prescriçons» por este motivo nom devem marginalizar as pessoas que utilizarem outras propostas legítimas e harmónicas com o luso-brasileiro.
O denominado «galego oficialista» no que diz respeito às Normas para a escrita carece de valor pois som incorretas e incompletas no seu conjunto, e além do mais muitos dos princípios propostos som falsos, fôrom elaborados prescindindo de princípios científicos. Apenas alguns exemplos: grafar «Xunta» em vez de «Junta», «Miño» em vez de «Minho», nom deixa de ser umha aberraçom histórica, por atentar gravemente contra a unidade da língua galego-portuguesa, nom respeitar a fidelidade à tradiçom escrita do galego e impossibilitar que o galego se reconheça sensivelmente uniforme para manter-se entroncado com a sua História.
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