A reforma de tudo (e de nada)
O governo descobriu uma palavra mágica. Uma palavra que transforma o banal em histórico, o paliativo em ruptura, o ajuste em transformação. Essa palavra é reforma.
Reduzir o IRS em meio ponto percentual? Reforma. Assinar um acordo salarial com metade dos sindicatos? Reforma estrutural. Luís Montenegro chegou a dizer que lhe «custa um bocadinho que as pessoas não percebam que isto é uma reforma estrutural». Repor o alojamento local? Reforma da habitação. Assinar acordos de carreira com professores ou forças de segurança? Reforma das carreiras. Anunciar sete prioridades num congresso do partido? Sete reformas. A este ritmo, se o Governo mudar a hora do Conselho de Ministros, será uma reforma do calendário executivo.
A palavra tem um peso próprio. Remete para coragem. Para a atitude de Sá Carneiro, para Cavaco a desenvolver e privatizar, para Passos a implementar. Reformas custam. Reformas agitam. Reformas têm perdedores, o que explica porque são difíceis e raras. O que o PSD de Montenegro faz é outra coisa: chama reforma a qualquer........
