menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Inflação: Portugal mais eletrificado seria mais resiliente, mas refém da abertura

12 0
02.04.2026

Quem abastece hoje em Portugal sente-o de imediato: os combustíveis voltaram a subir significativamente, à semelhança do que aconteceu em 2022. Em poucas semanas, o barril de Brent subiu de 72 dólares, no final de fevereiro, para perto de 100 dólares, impulsionado pelo conflito no Médio Oriente entre os EUA e Israel e o Irão. O impacto chegou rapidamente às bombas, sobretudo ao gasóleo, que passou de cerca de 1,60 € por litro para mais de 2 €, apesar da redução do imposto sobre os produtos petrolíferos (ISP), insuficiente para travar um novo surto inflacionista. Perante este cenário, instalou-se rapidamente uma ideia quase automática: se os combustíveis sobem, então tudo sobe. As expectativas de subidas surgem, os agentes económicos antecipam custos mais elevados e muitos preços acabam por ser ajustados em alta, por vezes ainda antes do final do mês ou da próxima encomenda. Segue-se o conhecido efeito em cascata ao longo de toda a cadeia de valor. Isto acontece porque, em larga medida, a economia global continua a depender do petróleo, que, no caso português, representa cerca de 50% da sua matriz energética primária.

Mas o impacto desta dinâmica pode depender, em parte, da estrutura energética de cada economia. Portugal continua a ser uma economia pouco eletrificada, representando 25% da sua matriz energética primária, um valor acima da média mundial de 19,8%, mas aquém dos níveis dos países nórdicos, como a Suécia e a Noruega, de 50%, ou da Finlândia, com 40%, o terceiro país mais eletrificado do mundo. Se os agentes económicos tivessem, na sua grande maioria, veículos elétricos, dir-se-ia o mesmo aquando do carregamento e o seu efeito na inflação? Não. O preço da eletricidade mantém-se estável, sobretudo na Península Ibérica, e não existiriam, pelo menos do lado da energia elétrica, argumentos para a subida dos preços. Mas, para isso, seria necessário que a economia estivesse muito mais eletrificada, pelo menos em níveis próximos dos países escandinavos, onde a eletricidade é metade da energia primária........

© Expresso