Revolução digital: uma tragédia em três atos!
Transição digital é eufemismo para a rutura antropológica que está a acontecer. O mundo não vai acabar, mas vai deixar de existir tal como o conhecemos hoje. Afinal, o que significa ser humano num universo em que a vida das pessoas é partida em pedaços, transforma-se num fluxo permanente de dados pessoais, colocados à mercê das ferramentas de IA e integrados nos respetivos processos decisórios.
Não por acaso, a expressão “revolução digital” é usada sete vezes na encíclica Magnifica Humanitas. E não há memória de uma revolução que só tenha tido vencedores. A revolução digital é uma peça de teatro escrita em três atos. Há uma linha de continuidade, pontuada por alguns pequenos saltos tecnológicos, que tiveram um profundo impacto na vida quotidiana, na economia, no espaço público, na geopolítica.
O salto com que abre o primeiro ato ocorre em 1993, quando a World Wide Web, inventada anos antes por Berners-Lee, atravessa as paredes do CERN, na Suíça, e é oferecida para utilização universal. Este passo deu origem a uma nova economia, dominada pelas ideias de acesso e disponibilidade. São tempos de grande otimismo, a caminho de uma “aldeia global” em linha. O Google afirma-se, após a viragem do milénio, como o grande monopolista dos motores de busca e promete a todos acesso livre à totalidade da informação existente no mundo.........
