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Orçamento do Estado: a ciência portuguesa reduzida a um número imaginário

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23.10.2026

Aprende-se no secundário, e não se esquece, que o número imaginário i, elevado ao quadrado, dá menos um. O Governo, que mandou extinguir a Fundação para a Ciência e a Tecnologia (FCT) para pôr no lugar dela uma agência chamada AI², devia ter consultado um professor de Matemática antes do batismo.

A 8 de outubro entregou no Parlamento o Orçamento do Estado para 2027 e a álgebra cumpriu-se, ou seja, as verbas do Ensino Superior, Ciência e Inovação caem 7,6% face ao que se conta gastar este ano. E a AI² não tem valor no orçamento do Estado de mais de 400 páginas. Um imaginário puro ao quadrado dá sempre negativo. Parabéns, criou-se a primeira agência de investigação do mundo cuja principal descoberta científica é a invisibilidade absoluta do seu próprio orçamento num documento oficial.

Ninguém pode dizer que não foi avisado. O ministério garante que “a previsibilidade é prioritária”, e nisso tem razão, o corte está no Diário da República desde 31 de dezembro. Os tetos de despesa até 2029 dão ao Ensino Superior, Ciência e Inovação menos 7,6% em 2027, menos 2% em 2028 e, em 2029, menos 385 milhões de euros do que em 2025. No mesmo quadro, a Defesa sobe 27%. Nas Grandes Opções, a única medida para a “ciência e inovação” é rever a exclusividade para que os investigadores possam trabalhar nas empresas. Faz sentido. Com estes tetos, vão precisar de um segundo emprego. A grande visão estratégica do Governo para reter o talento cimeiro resume-se a permitir que um doutorado em genética molecular possa, finalmente e dentro da estrita legalidade, conduzir um uber à noite para conseguir pagar a renda.

O Governo apresentou o Orçamento em 37 diapositivos onde a palavra “ciência” não aparece. Na........

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