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A literatura e a cultura “dão nariz”

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19.06.2026

O acesso à leitura e à cultura literária foi entendida ao logo dos tempos, da Idade Média às revoluções burguesas quer como forma de poder, quer como forma de emancipação.

Lembrando o óbvio esquecido: ler é um privilégio e ler textos literários um privilégio ainda maior que traz poder, que, aliás, poucos entendem como tal. No reino do científico-tecnológico e do digital, a leitura literária e a natureza das leituras implicadas no estudo das Humanidades afiguram-se como do domínio do inútil. Para que serve a literatura e arte em geral? Para que servem as ciências humanas que dificilmente são mensuráveis com a exatidão que as ciências ditas exactas e as tecnologias reclamam? Para nada, responderá a maioria... Eu diria que serve para fazer perguntas, seguindo uma perplexidade de Saramago, em Memorial do convento: “tudo no mundo está dando respostas, o que demora é o tempo das perguntas.”

A sociedade da positividade dos nossos dias, que responde ao “Yes you can” do excesso de produtividade, está intimamente ligada ao processo de aceleração e a uma entrega ao que os romanos chamaram o negotium por oposição ao otium. Ora este sempre foi facilitador........

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