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Diesel para Trump, guerra para Putin

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21.10.2026

Há acordos que se medem em toneladas, outros em dólares. E há aqueles cujo verdadeiro preço só se conhece muitos anos depois, quando já é demasiado tarde para recuperar aquilo que se perdeu. O entendimento anunciado por Donald Trump com Vladimir Putin para colocar diesel russo nos mercados internacionais pertencerá porventura a esta última categoria.

Sob a promessa de aliviar os preços dos combustíveis, a Casa Branca abre uma porta económica a Moscovo, enfraquece a política de sanções que os próprios Estados Unidos ajudaram a construir e deixa os seus aliados europeus perante uma pergunta tão simples quanto inquietante: afinal, de que lado está Washington?

A justificação apresentada pelo Presidente norte-americano é conhecida. Os preços da energia pressionam as famílias americanas, a economia exige respostas e os interesses dos consumidores devem prevalecer. É um argumento politicamente conveniente, sobretudo num país em que o preço dos combustíveis se transforma rapidamente num barómetro eleitoral. Mas há uma diferença entre procurar soluções para uma crise energética e oferecer um novo fôlego económico ao Estado que, há quase cinco anos, conduz uma guerra de agressão contra um país europeu.

O acordo anunciado prevê a disponibilização de quantidades significativas de diesel russo nos mercados, acompanhada de um alívio temporário das sanções norte-americanas aplicáveis a estes fornecimentos. A administração Trump apresenta-o como uma oportunidade para aumentar a oferta e fazer baixar os preços. O problema é que, no outro lado desta equação, está Vladimir Putin. E Putin não governa uma economia desligada da guerra, nem gere as receitas energéticas russas como se a invasão da Ucrânia fosse um acontecimento lateral à vida do Kremlin.

O dinheiro não tem nacionalidade moral, dir-se-á. Porém, tem consequências políticas. As receitas que entram na economia russa ajudam a sustentar um Estado que mobiliza recursos para a sua máquina militar, financia a produção de armamento e prolonga uma guerra que continua a destruir cidades, vidas e infraestruturas ucranianas. Não é necessário que cada dólar proveniente da venda de combustível seja diretamente canalizado para uma fábrica de munições para compreender o essencial: quando se reforça a capacidade financeira de Moscovo, reforça-se também a margem de que o Kremlin dispõe para continuar a combater.

É esta a primeira traição do acordo Trump-Putin: a traição à Ucrânia. Não........

© Expresso