Afundados em estudos e a viver à tona do desastre
Vivemos dias em que mesmo o mais negacionista não pode fugir às alterações climáticas como uma realidade que interfere no seu quotidiano, quer viva no meio rural quer na cidade.
Neste quadro, a subida do nível da água do mar constitui um dos maiores riscos para as próximas décadas. Os cientistas vêm alertando que o problema dos oceanos não radica na ausência de conhecimento, o que se exige é uma acção climática, de que só nos lembramos quando os riscos passam a dramas efectivos ou a mortes contabilizadas, envolvendo comunidades com voz mais audível, como as populações europeias, muito embora o resto do mundo viva em emergência climática há muito tempo.
Num mundo onde a Inteligência Artificial (IA) se tornou uma muleta falaciosa, desafiei o meu lado céptico digital e atrevi-me a provocá-la, perguntando-lhe:
“Se fosse o Secretário-Geral das Nações Unidas, que sugeriria aos Estados-membros sobre o tema?” a resposta da IA foi directa: “acabou o tempo dos diagnósticos”. Um alerta que se revela um paradoxo, evidenciando que até a IA reconhece que o futuro dos oceanos exige acção, e não apenas mais dados.
Contudo, ironicamente, são esses mesmos dados que a ONU mobiliza como escudo para conter o avanço do negacionismo económico, enquanto os converte numa bengala que acaba por justificar a ausência de instrumentos eficazes em matéria de acção climática. O recurso ao conhecimento como bóia de salvação leva, assim, a diluir a responsabilidade pela inércia, na tentativa de transformar o diagnóstico num instrumento que, por si só, não é.
Assim, na terceira avaliação global dos oceanos, o WOA-3 (Third World Ocean Assessment), divulgada a 8 de junho pela ONU,........
