As pontas soltas da geopolítica
Vamos recuar até fevereiro de 1945, num salto temporal digno de um DeLorean. Estaline, Churchill e Roosevelt sentaram-se em Yalta para reconfigurar o mundo. Era o fim da Segunda Guerra Mundial e o início de uma nova ordem global. O peso dos dias sombrios pairava no ar, marcado por uma destruição profunda.
Ainda assim, surgia uma ideia frágil de esperança e a possibilidade de reaprender a viver em paz. Mas o que se seguiu não foi paz duradoura. Foi uma guerra fria, um confronto de equilíbrios instáveis, ameaças implícitas e tensões permanentes. No fundo, tratava-se de um mundo construído sobre questões não resolvidas, apenas congeladas.
Pontas soltas suspensas no ar da história.
Voltemos ao presente. O final do século XX parecia anunciar um novo começo, aquele “fim da História” declarado por Francis Fukuyama. A queda do Muro de Berlim trouxe a promessa de um mundo menos dividido. Mas essa promessa revelou-se incompleta. As guerras dos Balcãs mostraram que o passado não desaparece. Seguiram-se conflitos no Iraque e no Afeganistão. A instabilidade não foi resolvida e algumas fissuras perduraram.
Taiwan é uma delas. Mais do que uma ilha, é um ponto de fricção entre........
