menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

Uma mudança estratégica do Canadá no seio da NATO num Ártico versão 2.0

30 0
12.08.2026

Durante décadas, o Canadá manteve uma posição prudente relativamente ao Ártico dentro da NATO. Embora considere a região parte integrante da sua soberania nacional, o Canadá procurou evitar a sua excessiva militarização, privilegiando a cooperação internacional, o direito marítimo e a governação multilateral através do Conselho do Ártico. Após o fim da Guerra Fria, prevaleceu a convicção de que a cooperação científica, ambiental e económica permitiria manter a região relativamente afastada das tensões geopolíticas. Essa perceção está hoje ultrapassada, e a políticaF canadiana encontra-se em rápida transformação.

A invasão russa da Ucrânia, em 2022, constituiu um ponto de inflexão. O recurso de Moscovo à força para alterar os equilíbrios estratégicos europeus reforçou a perceção de que o Ártico já não pode ser considerado uma periferia alheia às tensões internacionais. A região tornou-se um espaço cada vez mais relevante na competição entre grandes potências.

O Canadá responde a esta nova realidade com uma revisão profunda da sua política de defesa. O Governo aumentou o investimento militar no Norte, anunciou a modernização das capacidades de vigilância, reforçou a cooperação com os Estados Unidos através do NORAD e atribuiu ao Ártico uma importância crescente na sua estratégia de segurança nacional.

Esta mudança traduz-se também numa alteração significativa da posição canadiana dentro da NATO. Durante muitos anos, Otava mostrou reservas perante a possibilidade de converter o Ártico numa prioridade da Aliança Atlântica, receando que uma maior presença militar alimentasse as tensões com a Rússia ou limitasse a sua margem de manobra em questões de soberania. Essa prudência deu agora lugar a uma postura mais........

© Expresso