Rendimento Mínimo e Prestação Social Única – dignidade e transparência
Há uma pergunta simples que deve ser colocada no debate público e que diz muito do tempo que vivemos: por que há cada vez mais portugueses beneficiários de prestações sociais a votar na direita radical populista?
A resposta é muito simples – atribuir um subsídio não é garantir futuro, não é conceder as ferramentas necessárias a que a pobreza se não transmita de pais para filhos.
Edouard Louis, um dos mais relevantes escritores franceses do tempo atual, no seu primeiro romance autobiográfico "Para Acabar de Vez com Eddy Bellegueule", faz um retrato impressionante da pobreza em que nasceu, dos subsídios atribuídos em França depois da desindustrialização, dos homens racistas e xenófobos que passavam os seus dias na bebida, das mulheres que deambulavam entre as varandas das casas decrépitas e os sofás onde viam os programas de entretenimento, das avós que se metiam na vida de quem queria deixar aquele espaço onde o futuro deveria ser igual ao passado e ao presente. Este passou a ser um campo fértil de votos para Marine Le Pen, antes era um viveiro de socialistas e comunistas.
O cenário de Louis, também nos seus romances seguintes onde se liberta da mãe e do irmão, não é muito diferente do que se passa na Alemanha de Leste depois de décadas de subsídios que substituíram as regras rígidas, mas previsíveis, da sociedade comunista no final do século passado. É também o AfD, partido neonazi, a receber o apoio massivo dos mais desfavorecidos e desesperançados.
Os subsídios públicos destinados ao combate à pobreza eliminaram a fome, mas não fizeram mais nada pelas pessoas que os recebem. Em boa verdade, o que aconteceu foi a mera substituição da caridade religiosa pela caridade do Estado, sem acrescentarem futuro e dignidade aos que continuaram pobres e desprotegidos.
Portugal chegou tarde ao Estado Social. No marcelismo foram aprovados os primeiros apoios, as primeiras pensões para os mais velhos. Tudo........
