O que correu bem e mal no PRR?
O governo anunciou a execução a 100% do Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Devemos felicitar Castro Almeida, Mariana Vieira da Silva, Eduardo Pinheiro e Hélder Reis por termos conseguido cumprir o que nos comprometemos dentro dos prazos. Uma posição inteligente, por parte dos partidos com representação parlamentar, seria passar à frente, retirar lições e olhar o futuro, sem manobras e sem politiquices.
O PRR nasceu da necessidade, que a União Europeia verificou, de dar um outro impulso à economia depois da covid-19. Para isso foram criados o NextGenerationEU e o seu irmão Mecanismo de Recuperação e Resiliência, que disponibilizaram a Portugal mais de 20 mil milhões de euros.
Organizado em três grandes áreas, duas transições (digital e climática) e uma de resiliência, o PRR nasceu mal e os seus problemas congénitos vieram até ao fim.
Quando se colocou a necessidade de se construir uma base programática prévia a este PRR, o governo de António Costa cometeu o seu primeiro erro. Devia ter sido Siza Vieira, ministro de Estado e da Economia, a liderar o processo. António Costa e Silva, o incumbido, é uma personalidade relevante. Durante anos escreveu nos jornais sobre estratégia. Há, porém, uma enorme diferença entre o gabinete e o mundo real, entre a elaboração das administrações de empresas financeiras, mesmo que tenham como negócio o petróleo, e o empresariado português. Siza Vieira conhecia o país e, mais importante, conhecia a idiossincrasia dos patrões deste........
