Desigualdades – o grande embuste discursivo
Há na palavra desigualdade toda uma ambição teológica – todos os seres humanos devem ser iguais. Essa ambição é o nirvana, uma realidade inalcançável que, se existisse, faria com que Homem entrasse numa distopia fatal.
A Revolução Francesa marcou o nascimento de um novo tempo, Marx deu-lhe um impulso ilusório, a realidade dos regimes comunistas obrigou a pôr os pés no chão e à consagração uma outra dimensão teleológica – a igualdade de oportunidades que foi (e é) a grande marca dos movimentos sociais-democratas ocidentais que abjuraram o marxismo.
Durante séculos, o ser muito rico era ser detentor de muitos hectares de terra agrícola; depois, essa classificação passou para os capitalistas com grandes fortunas na indústria e na finança. Nos dias de hoje, o ser muito rico é integrar a oligarquia tecnológica transnacional.
Em todas as situações se afigura a permanente e insuportável luta de classes, coisa que até o socialismo chinês deixou de ter nas suas cartilhas.
Só no mundo ocidental se mantém o discurso patético de que as desigualdades nunca foram tão grandes, coisa que é fácil de contrariar a bem do debate público e do esclarecimento dos cidadãos mais descuidados.
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