O fim do modelo binário do ensino superior: por uma universidade compreensiva
A anunciada criação das Universidades Politécnicas de Leiria e do Oeste e do Porto — a que tudo indica seguir-se-á a de Bragança — marca um momento de viragem no ensino superior português. Não se trata apenas de uma mudança institucional ou nominal. É, potencialmente, o sinal do fim de um modelo que estruturou o sistema desde o final da década de 1970: o modelo binário, assente na separação entre universidades e institutos politécnicos (inicialmente, designado de curta duração).
Desde os anos 1980 que tenho vindo a sustentar uma crítica persistente a este modelo. Não por recusar a ideia de diferenciação institucional — que é necessária em qualquer sistema complexo —, mas por considerar que, em Portugal, essa diferenciação foi construída sob a forma de uma hierarquia implícita. A distinção entre universidade e politécnico nunca foi apenas funcional; foi, desde cedo, simbólica e socialmente estratificada.
Importa recordar o contexto. Na sequência da democratização do país, o alargamento do acesso ao ensino superior tornou-se uma prioridade política. O modelo binário, adotado sob a égide de decisores como o ministro Sottomayor Cardia e com o apoio de instituições como o Banco Mundial, respondeu a essa necessidade: permitiu expandir rapidamente a oferta formativa, criando uma via mais curta e mais orientada para o mercado de trabalho.
Mas essa solução teve um custo. Ao separar estruturalmente dois tipos........
