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Nem relativismo nem guerra cultural

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28.07.2026

O artigo de Henrique Raposo, publicado no Expresso, levanta uma questão que merece ser discutida sem caricaturas. Tem razão ao chamar a atenção para um paradoxo: em nome do combate ao racismo e à discriminação, alguns sectores da esquerda mostram dificuldade em criticar práticas ou discursos religiosos profundamente conservadores, designadamente em matérias como os direitos das mulheres, das pessoas LGBT ou a liberdade de consciência.

A questão existe. Mas a explicação merece ser aprofundada.

Não se trata de uma convergência ideológica entre a esquerda democrática e o islamismo político. Essa convergência não existe. O que existe é uma consequência inesperada de uma transformação mais profunda da cultura democrática nas últimas décadas.

A luta pelo reconhecimento das minorias foi uma das maiores conquistas das democracias contemporâneas. Aprendemos que ninguém pode ser diminuído pela sua origem, pela sua religião, pela sua identidade ou pela sua orientação sexual. Essa conquista permanece irrenunciável.

Mas, por vezes, confundimos duas exigências distintas: respeitar as pessoas e suspender a crítica das suas crenças. Ora, a democracia protege pessoas; não concede imunidade às ideias.

O reconhecimento da dignidade de cada ser humano não implica que todas as conceções religiosas, culturais ou políticas sejam igualmente compatíveis com a........

© Expresso