Impacto: ir além do que podemos quantificar
Considere um programa de desenvolvimento profissional para jovens de bairros de baixos rendimentos. Quase mil participantes concluíram a formação e mais de 80% encontram-se empregados. Estes números são importantes e ficam muito bem num relatório. No entanto, o verdadeiro impacto vai além desses indicadores. Ele está na transformação de mentalidades: no antigo aluno que cria o seu próprio negócio ou que decide apoiar e orientar outros jovens. São mudanças difíceis de mensurar, mas que revelam o valor mais relevante do programa.
Em todo o governo, na filantropia, no setor sem fins lucrativos e nas empresas, existe uma pressão crescente para demonstrar resultados positivos definidos como «impacto». Esta pressão é compreensível, uma vez que as organizações devem prestar contas dos recursos que utilizam e das promessas que fazem. No entanto, no esforço para mostrar resultados, perde-se frequentemente algo importante: uma noção clara do que realmente muda. A maioria dos relatórios sobre impacto e inovação social parecem inventários: programas realizados, participantes alcançados, indicadores atingidos. Descrevem o que foi feito, mas nem sempre conseguem explicar a transformação que ocorreu.
Avaliar o impacto não é fácil, especialmente quando implica traduzir em números dimensões essenciais como a inclusão social, o bem-estar e a comunidade. Existe um consenso generalizado de que o impacto é complexo e multifacetado e, por isso, não pode ser reduzido apenas a números.
No entanto, quando se trata de avaliação, as perguntas voltam sempre às métricas: Quantas pessoas participaram? Quantos programas foram realizados? Quantas subvenções foram distribuídas? Quanto às organizações sem fins lucrativos e aos empreendedores sociais que procuram financiamento, é-lhes normalmente pedido que........
