A vida útil
Durante toda a minha vida recebi apenas amor condicional. Desde criança, para me sentir amada, intuía que precisava “brilhar”. Não sei por qual razão, ou talvez até saiba, nunca me pareceu que seria amada por ser exatamente quem eu era e, por isso, não media esforços para superar as expectativas que as pessoas tinham sobre mim. Eu simplesmente não suportava ver alguém dos meus precisando de algo que eu, ainda que não fosse solicitada, já estava a postos para oferecer ajuda. De ouvido amigo à pintura de apartamento ou faxina, eu sempre estava lá. A princípio eu não sabia, mas esse era o meu jeito de me fazer presente e, quem sabe, de também me sentir amada.
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Demorei muitos anos para notar o detalhe mais relevante dessa história que narro: ninguém pedia. Eu sempre chegava antes do pedido, me antecipando e me fazendo imprescindível ou, pelo menos, eu acreditava nisso. Foi lendo o livro 'O Ser e o Nada', de Sartre, que notei que eu era como o garçom que o filósofo descreve no........
