menu_open Columnists
We use cookies to provide some features and experiences in QOSHE

More information  .  Close

O que eu aprendi com meus pacientes em 2025

15 0
03.01.2026

Todo fim de ano traz uma espécie de silêncio diferente. Mesmo antes das férias, algo muda no ritmo das pessoas. As consultas ficam mais carregadas, as perguntas menos objetivas, as dores menos localizadas. O paciente fala do joelho, do tornozelo, do ombro, mas, muitas vezes, o que está ali não é só ortopedia. É cansaço acumulado, expectativa frustrada, medo do tempo passando.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

Se existe algo que o ano passado deixou claro é que, apesar de toda a tecnologia disponível, de todos os exames sofisticados e técnicas cirúrgicas avançadas, a medicina continua sendo um encontro entre pessoas. E é nesse encontro que os maiores aprendizados acontecem.

Aprendi, mais uma vez, que o paciente raramente chega apenas com uma queixa. Ele chega com uma história. Às vezes bem contada, às vezes confusa, às vezes interrompida pelo pouco tempo que ele acha que tem direito. Quando conseguimos escutar além do sintoma, o diagnóstico costuma ficar mais simples, mesmo quando o tratamento não é.

Aprendi que dor não é apenas uma medida objetiva. Dois pacientes com o mesmo exame podem viver realidades completamente diferentes. Um tolera, o outro sofre. Um se adapta, o outro se paralisa. E nenhum deles está errado. A dor carrega contexto: emocional, social, profissional. Ignorar isso empobrece qualquer conduta.

Aprendi também que o tempo é, talvez, o recurso mais subestimado da medicina. Não o tempo cirúrgico, cronometrado em minutos, mas o tempo da escuta. Muitas decisões difíceis se tornam mais claras depois de alguns minutos de silêncio,........

© Estado de Minas