Somos do tamanho de nossas questões
Certa vez vi uma entrevista de Antônio Cândido, um dos maiores críticos literários do Brasil, em que ele cita uma conversa com Guimarães Rosa. Intrigado a respeito do posicionamento político do autor de “Grande sertão: veredas”, ele perguntou, em Gênova, se Rosa se identificava com a esquerda ou a direita, apesar de a questão ideológica nunca ter pesado entre os dois. Segundo ele, Rosa teria dito que achava que todos deveriam ter o direito à igualdade, que esse seria, talvez, o destino da humanidade. Porém, essa não era uma questão fundamental. Essencial mesmo, para o homem, seria saber se Deus existe ou não.
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Sem dúvida, um grande ser humano em busca de uma grande questão. Não que as outras sejam de todo irrelevantes. Porém, acabam ficando pequenas diante dos grandes problemas metafísicos, existenciais, fundamentais. Quando perdemos essa dimensão, apequenamos a existência humana, seja ela coletiva ou individual.
Se formos medir o homem contemporâneo pelo tamanho de suas questões, encontraremos a futilidade dos problemas mesquinhos. Das filas de lançamento de smartphones às discussões sobre como performar no trabalho, estamos afundando na lama de uma vida torpe, sem nenhum tipo de elegância existencial. Aliás, com o fim da privacidade — conquista burguesa que nos dá o direito de........
